A venda de Medicamentos e Produtos de saúde animal nas farmácias têm vindo a aumentar, representando 20% das vendas totais das farmácias nacionais.
Estima-se que existam cerca de 6,7 milhões de animais de estimação em Portugal, um crescimento de 45% nos últimos quatro anos, com os cães a surgirem em maioria, seguidos dos gatos.
Segundo o estudo GfK Track.2Pets, de Outubro e 2015, os portugueses estão a levar mais os seus animais ao veterinário sobretudo para vacinação, mas também para desparasitação interna/externa.
No caso dos animais terem doenças crónicas, a despesa mensal pode superar os 60 euros, mas Ana Fernandes, presidente da Associação Zoófila Portuguesa (AZP), proprietária de várias clínicas veterinárias, garante que os donos "estão dispostos a pagar o que tiver que ser para prolongar a vida dos seus animais, com a maior qualidade de vida".
Ana Fernandes afirma que às clínicas da associação vêm "os clientes habituais dar as vacinas e fazer consultas de rotina, sendo esta a maior fatia da facturação". E apesar das pessoas estarem mais informadas sobre as necessidades dos animais e quando devem deslocar-se aos veterinários, a crise fez com que as pessoas passassem a procurar os serviços "apenas em casos agudos, em que os animais já nem têm sinais vitais", o que acontece em casos de insuficiência renal, insuficiência cardíaca e linfomas, doenças que requerem medicação permanente.
Em 2014, os produtos para saúde animal rondaram cerca de 20 milhões de euros, de acordo com a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que informa ainda que a quantidade vendida de medicamentos veterinários diminuiu em 12% entre 2014 e 2015. Já a Associação Nacional de Farmácias (ANF) garante que os produtos e medicamentos para saúde animal "integram um segmento tradicional da actividade das farmácias", e explica que desde 2009 este segmento "tem vindo a recuperar e corresponde já hoje a cerca de 20% do valor total deste mercado [vendas em farmácia] em Portugal". Desde esse ano, em que o peso era de 9%, que as vendas têm aumentado e representam hoje 3,2% das vendas totais dos produtos de saúde, "um aumento de quase 100%", revela a ANF. O crescimento tem vindo a "verificar-se de forma progressiva", devido "a uma maior intervenção das farmácias e a um maior interesse por parte dos proprietários dos animais", informa a mesma fonte. A intervenção passa por investimento em formação e apoio técnico especializado que permite às farmácias tornarem-se mais competentes neste segmento.
João Almeida Lopes, presidente da Apifarma, garante que a saúde animal "tem atualmente um papel na sociedade que supera em muito o seu próprio valor económico". E frisa que este "é um setor estratégico, com níveis de investimento em Investigação e Desenvolvimento de 10% das suas vendas", com "trabalhadores altamente qualificados". Lembrando que os animais de companhia têm um papel relevante enquanto elementos que participam e coabitam no ambiente familiar", defende que a sua proteção e bem estar "tem importância decisiva para evitar a transmissão de doenças no núcleo familiar".
De referir que, segundo a DGAV, estão no mercado 2.506 medicamentos veterinários. "Em 2015 foram autorizados 186, mais 30 que em 2014", revela fonte da DGAV. Também os ensaios clínicos aumentaram em 34% entre 2014 e 2015. Sobre a distribuição por grosso, a ANF explica que se processa através dos circuitos instituídos que abastecem as farmácias e garantem o fornecimento em todo o país. "A par das empresas que fornecem medicamentos humanos e destinados a animais, existem armazenistas especializados neste sector que operam exclusivamente para as farmácias e fornecem todas as referências necessárias à saúde e bem-estar animal.